A intérprete de libras Thamires Alves Ferreira, 29, viralizou nas redes sociais após o trabalho no Primavera Sound, festival de música que, segundo a organização, reuniu 55 mil pessoas por dia no Distrito Anhembi, localizado na zona norte de São Paulo, durante o último fim de semana.
Advogada, Thamires se interessou pela área após começar o relacionamento com o marido, pessoa com deficiência auditiva. Após realizar cursos, ela trabalhou em escolas públicas do Rio de Janeiro antes de conciliar dois prazer: a música e a tradução para a língua de sinais.
“Começaram as lives na pandemia, e eu fui chamada para fazer interpretações musicais. Eu não sabia como era e estudei a playlist por 15 dias. Fui bem no trabalho, virou o que eu quero fazer na minha vida. A comunidade surda elogiou muito”, contou em conversa com Splash.
A tradução em libras durante a apresentação da dupla Tasha & Tracie no festival que estreava no Brasil recebeu elogios do público.
“Era uma música muito sensual e não tinha letra no trecho que viralizou. Era só uma voz, que foi quase um gemido. E como eu faço isso? Preferi fazer a expressão com o meu corpo. Precisava corresponder com o que era cantado. Você se adapta a quem está cantando, seja algo mais contido ou sensual”.
“O surdo não sabe qual é o ritmo do que está sendo passado. Se eu não represento o ritmo que está sendo cantado com o meu corpo, ele não vai entender. Não é como uma palestra, que você traduz todas as palavras e vai embora”, explicou Tamires.
Além de citar o desafio de traduzir o que está sendo cantado em tempo real para a língua de sinais, Thamires afirmou ser fundamental o investimento em acessibilidade dentro dos festivais de música.
“O surdo gosta de música sim. Ele também dança. Eu não estou dançando à toa durante o meu trabalho. Se eu não fizer isso, ele não vai sentir o que tá acontecendo no palco”, concluiu.
Fonte: Splash UOL